Clique nos títulos para acessar os textos

TEXTO 1

Ø       SERVIR COM HUMILDADE

 

TEXTO 2:

Ø       SIRVAM UNS AOS OUTROS

 

TEXTO 3

Ø       CADA QUAL SEGUNDO O DOM QUE RECEBEU

 

TEXTO 4

Ø       COMO BONS ADMINISTRADORES DA MULTIFORME GRAÇA DE DEUS

 

TEXTO 5:

Ø       O PAPEL DAS LIDERANÇAS NO TRABALHO DIACONAL

 

TEXTO 6

Ø      REFLEXÕES SOBRE A INCLUSÃO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA A PARTIR

DA IX ASSEMBLÉIA DO CONSELHO MUNDIAL DE IGREJAS

 

Versão para impressão


home - indice - próximo

TEXTO 1

SERVIR COM HUMILDADE

 

Catequista Maria Dirlane Witt

Catequista Edson Ponick

Departamento de Catequese da IECLB

 

Em Belém, a 10 km de Jerusalém, encontra-se a Basílica da Natividade, construída no ano de 334 d.C, supostamente sobre a gruta onde Jesus nasceu. Para entrar na Basílica, é preciso se curvar e passar por uma pequena entrada de 1,20 m de altura. Essa entrada chama-se Porta da Humildade.

Passamos por uma experiência semelhante ao entrar numa sala com a porta rebaixada. É preciso curvar-se para entrar. Curvar-se é uma atitude de humildade. A palavra humildade vem do latim e quer dizer perto do chão. O que significa estar e andar perto do chão?

Mesmo que não apareça explicitamente, a humildade está presente na parte inicial do versículo de 1 Pedro 4.10, que diz: “Sirvam uns aos outros”. Quando vivemos em humildade, quando estamos perto do chão, enxergamos as pessoas de outra maneira e estamos mais próximos de quem necessita de ajuda.

A pequena porta da Igreja da Natividade nos lembra de como foi o nascimento de Jesus, que, humildemente, veio para servir e não para ser servido (Mateus 20.28). No Batismo, somos acolhidos por Deus e passamos a fazer parte do corpo de Cristo. Renascidos e renascidas pela graça de Deus, no Batismo, somos chamados à comunhão, ao serviço, à diaconia.

Podemos servir em diferentes situações e de diferentes formas. Às vezes, atitudes singelas, como um sorriso ou um abraço, são maneiras de servir. Deus não exige de nós além das nossas possibilidades. Basta colocarmos à disposição das outras pessoas aquilo que podemos e sabemos fazer.

O próprio Cristo, a porta da vida plena (João 10.9 e 10), nos fortalece a passarmos diariamente pela porta da humildade e nos convida, dizendo: Sejam meus seguidores e aprendam comigo porque sou bondoso e tenho um coração humilde; e vocês encontrarão descanso. Os deveres que eu exijo de vocês são fáceis, e a carga que eu ponho sobre vocês é leve (Mateus 11.29-30).

 

Técnica

Material: Um pedaço de papel pardo de 1,20 m X 1,20 m, fita adesiva.

Desenvolvimento

a) Antes da leitura do texto

1) Prende-se, com antecedência, na parte superior da porta onde acontecerá o encontro, o papel pardo, de modo que as pessoas tenham que se abaixar para passar.

2) Conversar sobre a experiência da passagem pela porta rebaixada. O que vocês sentiram ao ver o obstáculo na porta? O que sentiram ao passar pela porta rebaixada?

b) Depois da leitura do texto

1) Formar grupos de até cinco pessoas para refletir sobre as seguintes perguntas? O que a porta da humildade tem a nos ensinar? Quais são os obstáculos que, pessoalmente e comunitariamente, nos impedem de servir com humildade?

2) Compartilhar as reflexões dos grupos.

3) Finalizar o encontro com uma oração coletiva. Depois as pessoas saem, passando pela porta rebaixada. Do lado de fora da porta, as pessoas despendem-se com uma palavra de envio e um abraço.

 

anterior - indice - próximo

TEXTO 2

SIRVAM UNS AOS OUTROS

 

Psicóloga Vera Beatris Walber

Diretora do Departamento de Diaconia - IECLB

 

Em fevereiro passado realizou-se em Porto Alegre a 9ª Assembléia do Conselho Mundial de Igrejas e pela primeira vez em um país fora do hemisfério norte. O tema da Assembléia era “Deus, em tua graça, transforma o mundo” tema que também está acompanhando a IECLB no Tema do Ano de 2005 e 2006. Neste ano o Lema da IECLB é parte do versículo bíblico de 1 Pedro 4:10 “Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus”.

Diaconia é serviço, ação em favor das pessoas que sofrem. E são muitas as pessoas marginalizadas, excluídas de nossa sociedade. São inúmeras as pessoas que necessitam apoio e auxílio em alguma fase de suas vidas. Não precisamos pensar muito para lembrar de alguma pessoa que esteja necessitando de auxílio em nossas comunidades, vizinhança ou no bairro onde trabalhamos.

Mas o versículo bíblico nos diz mais. Ele nos motiva a servir uns aos outros. O que isto significa? Não basta servir? Não, Jesus nos motiva a mais do que um simples dar-se. Ele nos diz que não há pessoa que só sirva ou que só seja servida. Não há quem só tenha a dar ou pessoa que só tenha a receber e nada para dar. É uma relação de mão dupla. Servimos e ao mesmo tempo somos servidos.

Jesus foi o diácono por excelência. Ele não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos (Marcos 10,45). No entanto, Deus, através de Jesus, tornou-se humano, fez-se frágil e sofreu como os humanos. Jesus também deixou que lhe servissem quando permitiu que uma mulher chamada Maria ungisse seus pés com perfume caro e os secasse com os próprios cabelos. Isto se chama empatia. Empatia significa a capacidade de se identificar com outra pessoa, de sentir o que ela sente, de querer o que ela quer, de apreender do modo como ela apreende (Dicionário Houaiss).

Para exercer a diaconia o serviço cristão precisamos nos colocar ao lado da pessoa que sofre para compreender suas necessidades. Servindo uns aos outros nos colocamos todos no mesmo nível. Ninguém é melhor do que outra pessoa por que presta auxílio. Estamos todos no mesmo “barco”. Em outra situação posso ser eu a precisar de ajuda e isto não me diminui em nada.

Na 9ª Assembléia do CMI vivenciamos este servir recíproco com irmãos e irmãs de países de todos os cantos do nosso planeta. Tivemos a possibilidade de ajudar dando informações sobre nosso país ou nossa cidade, auxiliando na resolução de pequenos problemas, mas também fomos auxiliados por pessoas que fizeram o trabalho de tradução permitindo que a comunicação entre tantos povos e línguas fosse possível.

Pudemos vivenciar de formas variadas a noção de que ninguém é tão bom ou auto-suficiente que não precisasse de auxílio e ninguém era tão desnecessário que não pudesse contribuir com seus dons.

 

Técnica:

Material necessário: um lençol resistente ou um cobertor. Pode haver uma música calma de fundo.

Em grupos de aproximadamente 7 pessoas a técnica consiste em que cada pessoa do grupo seja carregada pelos outros componentes. Enquanto uma pessoa se deita no lençol ou cobertor as outras a carregam caminhando pela sala. O grupo deve fazer o máximo de silêncio possível para que a pessoa que está sendo carregada sinta-se confortável e em ambiente acolhedor. Ela deve entregar-se, confiar no grupo e relaxar.

Deve ser proporcionada a oportunidade a todas as pessoas do grupo vivenciarem ambos os papéis – o de carregar e o de ser carregado.

Ao final sugere-se um momento de compartilhar a experiência e os sentimentos surgidos durante a técnica.

 

anterior - indice - próximo

TEXTO 3

CADA QUAL SEGUNDO O DOM QUE RECEBEU

 

Psicóloga-psicanalista Simone Engbrecht

 

                               

Qual é nossa propriedade ao nascermos? Nascemos com o quê? Nossa família? Um código genético? Bens herdados? Os dons são definidos como qualidades inatas. Paradoxalmente um dom também é definido por mérito. Surge a questão: os dons são nossos desde que nascemos, recebemos como dádiva ou eles são adquiridos por merecimento?  

A curiosidade sobre as origens impulsiona o desenvolvimento do conhecimento científico. Esta é uma curiosidade nunca totalmente satisfeita. O momento em que recebemos os dons com o qual se nasce, portanto, é sempre enigmático. Conhecer, porém, quando os tornamos parte de nossa identidade é possível.

A partir do desejo de alguém pela nossa vida recebemos um nome. Nascemos com um nome, com uma referência pela qual somos chamados e convocados a viver. Mas, é somente aos poucos que tomamos posse de nosso nome, que ele realmente nos pertence. Algo semelhante se passa com os dons. Uma herança que precisa de uma assinatura particular para pertencer a alguém.

Dom = Qualidade inata.  Qualidade é atributo das coisas ou das pessoas que as distingue das outras e lhes determina a natureza. Nós nos acostumamos a pensar em qualidade de vida como sinônimo de vida boa, com possibilidades de realização de nossas necessidades. Quando escutamos com atenção a definição de qualidade, percebemos que uma qualidade define uma identidade a partir de uma diferença. Tecidos de diferentes texturas são tecidos de qualidades diferentes, seda, lã, algodão.

É difícil em uma sociedade competitiva, abandonarmos a idéia do melhor e do pior, do bom e do ruim, de uma avaliação quantitativa, e nos concentrarmos nas qualidades. Muitas vezes, qualidade de vida é confundida com quantidade de bens materiais e de tempo. O tempo não possui significado se não for qualificado. Uma vida com qualidade é uma vida que faz diferença. A vida de cada ser possui um sentido próprio que precisa ser revelado.

Todos recebem dons, qualidades inatas. E com eles se passa algo interessante. Para um dom tornar-se propriedade de uma identidade ele precisa ser doado. Dom, doar, doação de dons. Parece uma brincadeira com as palavras, mas recordando as palavras de Goethe: ‘o que herdaste dos teus pais, conquista-o para fazê-lo teu’. Os dons só possuem uma qualidade, um sentido, se quem o recebeu puder possuí-lo. Entregando-o. É uma conquista de entrega.

O dom de alguém, a qualidade de alguém está definida pela diferença, pela sua marca. A diferença, o sentido particular e especial da vida de cada um está naquilo que cada um pode acrescentar na vida dos outros, no que pode doar. A qualidade é definida pela comparação, não de melhor ou pior, mas pela descoberta das especificidades de cada indivíduo.

 Os dons mais valorizados numa sociedade de espetáculo são aqueles que colocam a pessoa como número ‘um’ em um show. Da platéia, ficamos maravilhados diante do belo. Um acréscimo aos nossos sentidos. É preciso perceber, porém, que cada um é o número ‘um’, não no sentido de primeiro, mas de único e especial na simplicidade de cada momento.

Ao percebermos a beleza e o espetáculo de um ato de amor e doação, deparamo-nos com os dons recebidos, com o sentido de cada vida. Só é possível estarmos diante de cada dom recebido se estivermos diante de um dom doado. Cada um segundo o dom que doou.

 

anterior - indice - próximo

TEXTO 4

COMO BONS ADMINISTRADORES DA MULTIFORME GRAÇA DE DEUS

 

Pastor Silvio Schneider

Fundação Luterana de Diaconia

 

Duas regras de ouro que norteiam a ação diaconal, que se inspira em Jesus Cristo, encontram-se no Novo Testamento: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. E amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mateus 22.37-38). “Façam aos outros o que querem que outros façam a vocês” (Lucas 6. 31)

A ação diaconal e o serviço social cristãos tem sua origem no exemplo e na compaixão de Jesus. A tarefa da Igreja é seguir Jesus em palavra e ação. Assim, o mundo inteiro criado e amado por Deus, e não somente a Igreja e os seus membros e estruturas, são ponto de partida e espaço para a ação diaconal.

Como cristãos e cristãs, trabalhando na área de serviço social e na promoção de desenvolvimento sustentável, reconhecemos que em última análise prestamos contas a Deus sobre a maneira como respondemos a necessidades humanas. E, ao mesmo tempo, também prestamos contas uns aos outros e a quem procuramos servir. O chamado do Evangelho nos desafia a servirmos a todas as pessoas em necessidade, independente de sua religião, raça, convicção, partido político, nacionalidade, idade ou gênero. (Gálatas 3.28)

A fé cristã requer que façamos uma abordagem mais ampla quando se trata de atender às necessidades dos que sofrem. É absolutamente necessário que nos inteiremos das causas do sofrimento para planejarmos, implementarmos e avaliarmos nossas ações diaconais. Assim estaremos sendo bons administradores da multiforme graça de Deus.

E quando se trata de ir ao encontro dos que sofrem, buscamos fazê-lo de maneira ecumênica, juntando forças com outras denominações e expressões cristãs e mesmo não-cristãs e com organismos governamentais e não governamentais locais, estaduais e federais.

É imperativo respeitar cada pessoa em sua dignidade que lhe foi conferida por Deus. Significa, pois, que a ação de serviço e a promoção de desenvolvimento sustentável são sempre planejados, implementados e avaliados com as pessoas e suas comunidades (em vez de para as pessoas e as comunidades).

A Igreja antiga tinha um código de conduta para os que atuavam no trabalho social: tinham que ser pessoas honestas, de boa reputação, cheias de Espírito e de sabedoria (Atos 6.3).

A abordagem interdisciplinar na ação diaconal é uma maneira significativa e poderosa de levar em conta todos os dons que Deus concedeu às pessoas e às comunidades (I Coríntios 12).

Ajuda a estabilizar um profissionalismo e tecnicismo unilateral muitas vezes visto como resposta a todos os problemas.

Distribuição de renda - Com 53.9 milhões de pobres, equivalente a 31,7% da população, o Brasil aparece em penúltimo lugar entre 130 países na lista de distribuição de renda. Perde somente para Serra Leoa, na África. (Documento do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas, 2005).

Para combater a concentração de renda e a pobreza, segundo o IPEA, é necessário acelerar a reforma agrária, a ampliação da previdência e programas de transferência de renda, a exemplo do Bolsa Família. Crescimento econômico, por si só, não basta: a redução da pobreza e da desigualdade depende do modelo de desenvolvimento, que não deve ser concentrador de renda e socialmente excludente.

Princípios e Códigos de Organismos Internacionais de Ajuda Humanitária

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados  (ACNUR)  propõe uma abordagem baseada em direitos humanos econômicos, sociais, culturais e ambientais (DHESCA) na promoção do desenvolvimento sustentável, que inclui princípios de

*igualdade e eqüidade

*prestação de contas

*empoderamento de pessoas e comunidades

*participação

*não-discriminação e atenção a grupos vulneráveis

A Cruz Vermelha Internacional e o Movimento do Crescente Vermelho formularam o seguinte código de conduta para organizações atuando em ajuda humanitária em situações de catástrofes naturais, guerras ou migrações forçadas:

1 - O imperativo humanitário é absolutamente prioritário.

2 - A ajuda deve ser dada independente de raça, credo ou nacionalidade dos receptores e sem qualquer restrição. A necessidade é o único e exclusivo parâmetro para a ajuda humanitária.

3 – A ajuda jamais será usada para apoiar determinado partido político ou expressão religiosa.

4 – Devemos evitar que nossas ações reflitam as políticas governamentais externas de determinados governos.

5 – Devemos respeitar culturas e costumes locais.

6 – Devemos tentar desenvolver ações de respostas a emergências com base em capacidades locais.

7 – Deve-se sempre achar possibilidades de envolver os beneficiários de programas de emergência, reconstrução e desenvolvimento no gerenciamento e administração da ajuda externa.

8 – Toda ajuda deve ter como objetivo reduzir vulnerabilidades futuras a desastres e, ao mesmo tempo, satisfazer necessidades básicas.

9 – Devemos prestar contas a todos: transparência com os grupos e comunidades a quem queremos ajudar e com os que apóiam o trabalho financeiramente.

Retornar

 

anterior - indice - próximo

TEXTO 5

O PAPEL DAS LIDERANÇAS NO TRABALHO DIACONAL

 

Psicóloga Sandra Kiefer

 

Ser líder num mundo de constantes mudanças de paradigmas, onde os valores estão em constante relativização, é uma questão que desafia as comunidades na condução de seus diferentes grupos através do trabalho diaconal. Líderes importantes do passado facilmente são tidos como não eficazes diante dos tempos modernos deste mundo.

Por exemplo, em outras épocas acreditava-se que para ser um bom líder bastava saber mandar. Hoje, ser um bom líder é saber compartilhar, investir nas pessoas, acolher as diferenças e perceber o que nos une para alcançar objetivos propostos pelo grupo. É ser um motivador, perceber a diversidade e administrá-la para que no alvo a ser alcançado possa transparecer a ação de todos. É atingir e superar objetivos junto com as pessoas.

Logo, o desafio da liderança é provocar a capacidade criativa da comunidade  comprometendo-a; pois, quando fazemos e nos sentimos parte do grupo,  realizamos coisas notáveis, construímos algo onde muitos se beneficiam. Sendo ouvido o grupo encontra espaço para externar suas opiniões, pensamentos. Nisto se sentem sujeitos num processo onde a tarefa do grupo vai sendo construída com o envolvimento de todos.  O líder eficaz partilha o poder e não manipula as pessoas; afinal, o poder emana destas pessoas que merecem partilhar suas expectativas, convicções. Isto é cidadania, exercício da democracia.

Todos nós podemos ser bons líderes quando nos dispomos a participar do aprendizado contínuo, dinâmico de um conjunto integral e integrado de objetivos comuns na comunidade; quando somos acolhedores, calorosos no acolhimento do outro. Para tanto, é preciso pressupor que a verdade brota do compartilhar. O poder, a força do grupo, a sua unidade vem da liberdade em expor suas convicções. Nas diferenças somos polidos, aprendemos e crescemos.

Mas, afinal, o que é necessário aprender para ser um líder?

Não existe uma receita. Mas podemos estabelecer alguns critérios:

Envolver-se com o que realmente importa. Priorizar o coletivo para que não se esteja só na caminhada.  A liderança existe na medida em que os colaboradores a reconhecem como existindo. Alguém não se torna líder simplesmente por que o quer, ela é um presente que só pode ser dado pelos outros. Ela chega quando os integrantes reconhecem a liderança, apoiando-a, deixando-se acompanhar, orientar, permitindo que o líder o desafie dentro do grupo para ações concretas no servir.  Ser líder não tem qualquer sentido sem outros que optem por comprometer-se amorosa e prazerosamente com a construção da comunidade. Um líder completamente solitário é como uma só mão batendo palmas.

Mas, então, como fazer isto acontecer?

É necessário que, em primeiro lugar, o líder esteja sensível e perceptivo às suas próprias necessidades para que, então, possa ouvir o outro, seja no trabalho com crianças, jovens, PPDs, etc. O passo inicial  acontece na sensibilidade do acolhimento, mesmo quando este parece confuso, desconhecido, não sabendo para onde se direciona uma atividade que irá iniciar. O ponto de partida precisa ser como uma ponte que vai sendo construída a partir de uma base.  Esta base é construída a partir da fé em Jesus Cristo, que impulsiona a comunidade cristã na direção do Reino de Deus

À medida que o grupo se sentir ouvido, compreendido e respeitado, o sentimento será de valorização e cada vez mais de comprometimento com a causa, com os objetivos que o líder apresenta como desafio. Os desafios brotam da Pregação do Evangelho que nos faz olhar para além de nós mesmos, concedendo criatividade diante dos obstáculos que são inerentes na caminhada do grupo.

Assim, é necessário criar condições para que o aprendizado ocorra a partir dos próprios colaboradores em parceria com o líder.

É preciso que a liderança esteja comprometida com seus colaboradores, estando aberta para reconhecer quais são as dificuldades presentes no grupo, a fim de encaminhar propostas de resolução das mesmas.

O bom líder compartilha, delega tarefas de uma pessoa para outra num Sistema de CONFIANÇA. Quando realmente delegamos autoridade, poder e atribuições inerentes a cada tarefa para uma pessoa, demonstramos nossa confiança nela, obtemos flexibilidade e agilidade das ações. Desta forma, é esperado que aquele que recebe o poder delegado tenha autoridade suficiente para concluir a tarefa de modo satisfatório, comprometido.

Neste sentido, o líder não fica diretamente envolvido com a tarefa, mas continua com a responsabilidade final do processo, acompanhando e orientando no que é necessário.

À medida que delegamos, incentivamos o desenvolvimento do conhecimento e das habilidades dos colaboradores, os quais se tornam capacitados a propor soluções para os diferentes conflitos quando, por exemplo, na ausência do líder e, ainda, têm a oportunidade de testar suas idéias e implementar soluções criativas, bem como de desenvolver maior autoconfiança e habilidades gerenciais. A delegação de poder, de forma criteriosa, aumenta o poder de quem o delega. Ao conceder aos colaboradores mais autoridade e ferramentas para executarem a tarefa, o líder amplia sua influência e os mesmos sentem-se incentivados para agir.

Para que o líder esteja apto a liderar é necessário deixar-se polir, como o barro nas mãos do oleiro. Neste sentido, é fundamental GOSTAR DE PESSOAS. É preciso autodesenvolvimento, habilidades de comunicação e influência, pensamento sistêmico, perceber a comunidade como um todo integrado. Ser líder é saber ser liderado, colocar-se também constantemente no lugar daquele que precisa ser motivado, estar num constante processo de aprendizagem, comunhão, solidariedade, parceria com amor, respeito, confiança.

 

Técnica:

Reflita com seu grupo sobre:

1 – Converse sobre as expectativas com o projeto diaconal de sua comunidade e as suas preocupações  com os resultados desejados;

2 – Que propostas o grupo apresenta como ações concretas para transformar em realidade suas expectativas e preocupações.

 

Retornar
anterior - indice

TEXTO 6

REFLEXÕES SOBRE A INCLUSÃO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA A PARTIR

DA IX ASSEMBLÉIA DO CONSELHO MUNDIAL DE IGREJAS.

 

Psicóloga Nádia Mara dal Castel de Oliveira

Coordenadora do Programa Diaconia – Pessoas com Deficiência

 

Na IX Assembléia do Conselho Mundial de Igrejas, realizada de 14 a 23 de fevereiro, na Pontifícia Universidade Católica, em Porto Alegre, o tema da inclusão e das pessoas com deficiência foi tratado com responsabilidade e compromisso.

Da organização estrutural do campus da PUC, como acessibilidade, transporte, locomoção e espaço físico a debates, apresentação e oficinas ligadas ao papel das pessoas com deficiência na transformação do mundo junto aos demais temas da Assembléia, demonstra-se o esforço e o movimento em busca de inclusão.

Um dos marcos significativos ligados à inclusão foi a apresentação da declaração Uma Igreja de todos e para todos junto ao Comitê Central da Assembléia do CMI. A declaração provisória é um documento, oriundo de intenso e aprofundado estudo, em busca de uma compreensão teológica do papel das igrejas com relação à inclusão e a deficiência. O Comitê Central do CMI entende a declaração apresentada como declaração do próprio Conselho.

Na declaração entende-se que o princípio de toda existência é incompleto, é imperfeito. A vulnerabilidade faz parte da condição humana. Compartilhar a vulnerabilidade pode ser uma alternativa a muitas realidades e também um ponto de partida para trabalhar questões de segurança, de sobrevivência e de preconceito. A vulnerabilidade também é uma questão do relacionamento do ser humano com Deus. Aceitar nossa vulnerabilidade, nossa imperfeição nos remete a uma condição de dependência de Deus e do amor do outro.

Porque o amor de Deus se aperfeiçoa e manifesta na fraqueza e na pobreza – olhar para condição humana sob esta ótica implica na desconstrução de uma visão baseada na perfeição e busca obcecada por independência e segurança. Desconstruir e construir não é um processo fácil. Ser facilitador da transformação de Deus, também não.

Fundamental é que a partir da declaração é possível entender que as questões ligadas à deficiência e a inclusão não são assunto especial, restrito apenas a um grupo de pessoas, mas diz respeito a todas as pessoas, a toda a existência.

Assim, inclusão não é opção da Igreja, mas característica que define a Igreja de Deus. O papel da Igreja é reconhecer sua vulnerabilidade e mostrar que é possível transformar realidades a partir da comunhão e do esforço em transformar atitudes e pensamentos. A inclusão acontece no momento em que as pessoas se abrirem para conviverem com suas diferenças e limites, servindo-se umas às outras, cada qual conforme os dons que recebeu.

 

Sugestão de atividade:

Construção de uma vela a partir de pedaços ou sobras irregulares de velas coloridas.

Objetivo da atividade: Experimentar através da proposta de atividade a importância de cada pessoa, com sua diversidade, na construção de novas realidades.

Material necessário: pote de vidro transparente, pedaços de velas (pode ser colorido e de diversos tamanhos representando diversidade), 30 cm de pavio ou barbante.

Desenvolvimento: Colocar o vidro transparente no centro da mesa. Segurar ao centro do vidro o pavio. Jogar os pedaços de vela dentro do vidro. Acender a vela.

* Sugestão de leitura enquanto a vela queima I Coríntios 12-22.

 

indice - imagens