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VALORIZAÇÃO
E AUTO-ESTIMA ATRAVÉS DA ARTE
Como a arte
pode ser terapêutica?
Para
experimentar e refletir isso, veio a psicóloga e psicopedagoga Marisa Coelho
Martins de Araújo da APAE-RIO, Rio de Janeiro para os Sínodos
Centro-Campanha Sul e Vale do Taquari. No mês de setembro, ela passou uma
semana em cada sínodo para trabalhar com pessoas, grupos e instituições que
se ocupam com a questão da inclusão social das pessoas com deficiência.
Há oito
anos Marisa Coelho é coordenadora da Oficina de Criatividade (OCA) da APAE
–RIO. A OCA no Rio de Janeiro é fruto belíssimo da parceria entre a APAE-RIO
e a Diakonie Stetten na Alemanha. Quando a Profa. Marisa e outras/os colegas
da APAE-Rio chegaram a conhecer a proposta da Oficina de Criatividade da
Diakonie Stetten, eles começaram a montar um trabalho parecido, adaptado à
realidade brasileira.
Na OCA a
Marisa coordena o trabalho de uma equipe de profissionais e voluntárias que
atende 40 participantes, todas elas pessoas adultas com deficiência
mental. A longa experiência profissional em consultório, na escola regular e
em postos de saúde fazem que Profa. Marisa seja uma especialista com
horizonte muito aberto e amplo, pressuposto importante para a atuação na
área da inclusão e, claro, na arteterapia também.
No âmbito
do nosso Sínodo houve encontros e atividades em Cachoeira do Sul com a AFAD
(Associação dos Familiares e Amigos do Down), no Curso dos Normalistas, com
a Associação de artistas, com a Oficina de arte inclusiva, com a comunidade
evangélica, e duas escolas. Em Santa Cruz do Sul, Marisa palestrou no curso
de educação especial da UNISC e trabalhou com os grupos da FCD (Fraternidade
cristã de doentes e deficientes), da ASPEDE (Associação Santacruzense de
Pessoas com Deficiência) e assessorou um dia de seminário com profissionais
da educação. Além disso ela conheceu a APAE e foi convidada para trabalhar
uma tarde com as crianças do projeto diaconal ‘Alegria e Esperança’ na
Comunidade Centro.
Enfim, o
que é que ela fez nos grupos?
Em vez de
fazer muita palestra, Marisa logo envolveu as participantes com dinâmicas
lúdicas e depois passou para experiências bem práticas de expressão
artística. Até pessoas que, no começo hesitaram um pouco, no decorrer da
atividade deixaram-se animar e, no final tinha mais que uma pessoa dizendo:
‘Achei que eu não fosse capaz de fazer arte. Agora eu sei que também sou
capaz.’ Depoimentos deste tipo provaram que a intenção do encontro foi mais
do que alcançada. Muitos de nós sentiram que fazer arte realmente faz bem,
ajuda para que a pessoa se conheça melhor e até consegue superar barreiras
internas que impedem o desenvolvimento ou o crescimento.
Muitas
pessoas que participaram de alguma atividade com a Marisa saíram com uma
visão de arte modificada. Foi possível superar um conceito de arte que pensa
em categorias como ‘certo’ e ‘errado’, ou que está reservando a arte para
artistas famosos e profissionais.
De certa
forma, nas oficinas com a Marisa todos nós nos tornamos artistas, tentando
expressar algo de nós. Usamos papel e lápis, cola e tesouras, jornal velho e
revistas velhas, etc. - tudo material bem acessível. Cada pessoa começou a
trabalhar exatamente com o mesmo material e no final saíram obras bem
diferentes. Enfim, as obras são tão diferentes quanto as pessoas que as
criaram.
Marisa nos
alertou para a valorização destas diferenças. Esta foi uma experiência muito
rica e valiosa. Outra descoberta: o processo criativo é mais importante do
que o produto final. Tornou-se mais significativo o que a pessoa sentiu
durante o processo criativo do que somente achar bonito ou não o resultado
final. Neste sentido a arte destaca-se de artesanato.
Fazendo
arte, deu para perceber a grande potencialidade terapêutica e libertadora
dela e curtir o grande prazer de ser criativo. “Esta tarde fez tão bem para
mim. Deveríamos ter mais disso” avaliou uma participante da FCD. Outras
pessoas usaram outras palavras, para expressar o mesmo.
Saboreamos
o potencial terapêutico da arte para todas e todos nós: mulheres e homens,
crianças, jovens e adultos, pessoas da terceira idade, profissionais,
voluntárias/os, pessoas sem ou com deficiência.
A Marisa
adorou muito as pessoas, as atividades e os encontros aqui no sul do país.
Expressou várias vezes que foi uma grande alegria e um grande prazer poder
passar adiante os seus conhecimentos profissionais. “Assim”, ela disse, “eu
posso compartilhar um pouco daquilo que eu convivi e aprendi na Diakonie
Stetten na Alemanha.”
Ela adora a
iniciativa dos dois sínodos de promover a valorização e a inclusão das
pessoas com deficiência e se sentiu honrada por ser convidada para esta
caminhada. Nós agradecemos à Marisa e à todas as pessoas e instituições que
agilizaram encontros e atividades com ela. Nos alegramos que este momento da
parceria na área da diaconia foi tão rico e proveitoso.
Se Deus
quiser será possível achar caminhos para dar continuidade à proposta da
arteterapia no Sínodo.
Pedagoga Social Meike Jacobs
e pastor Matthias Binder
Santa Cruz do Sul/Diakonie
Stetten
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